Os inúmeros desafios daqueles que
escolheram analisar a sociedade através do prisma do conhecimento histórico, muitas
vezes vivendo no calor dos acontecimentos e, portanto, influenciados pela
plástica da sociedade capitalista de consumo, apontam para a necessidade
premente de assumir o compromisso que Paul Veyne registra:
... o historiador não é um
colecionador, nem um esteta; a beleza não lhe interessa, a raridade tampouco:
apenas a verdade. A história é uma narrativa de acontecimentos
verdadeiros. Nos termos desta definição, um facto deve preencher uma condição
para ter a dignidade da história: ter acontecido realmente.
Apesar das diversas confusões e
imprecisões oriundas do senso comum, a profissão do historiador requer
militância, engajamento político no sentido lato, o envolvimento com temas
atuais que, de uma maneira ou outra, foram constituídos e construídos
historicamente e a nós se apresentam na condição de dilemas ou paradoxos reais.
As maiores dificuldades e dúvidas
com as quais nos deparamos é, por incrível que pareça, de ordem conceitual,
epistemológica, teórica. Como o desafio de definirmos, por exemplo: “O que é
história?”; neste sentindo, para ampliar essa a reflexão, segue contribuição de
Julio Aróstegui:
... ha designado
tradionalmente dos cosas distintas la História como realidadenla que elhombre
está inserto y, por outra parte, elconocimiento y registro de lassituaciones y
lossucesos que señalan y manifiestanesainserción.
Nada que arrefeça os nossos
ânimos, a construção do conhecimento histórico está a cada dia mais intrinsicamente
relacionada com a atuação em campo do historiador/historiadora, no seu
cotidiano, tendo sempre em mente o que disse Eric Hobsbawm:
Quase todos os jovens de hoje
crescem numa espécie de presente contínuo, sem qualquer relação orgânica com o
passado público da época em que vivem. Por isso os historiadores, cujo ofício é
lembrar o que os outros esquecem, tornam-se mais importantes que nunca...
Partindo dessa última premissa, o
dia 01 de junho é emblemático. O poder executivo de Várzea Grande, em conjunto
com a Câmara Municipal, quando da Lei n.º 4.279/2017 que instituiu o Dia
Municipal do Historiador e criou o Prêmio Amigo da História no município, emite
a senha de que, assim como a edificação de equipamentos públicos para abrigar
os CMEIs, EMEBs, UBSs, PSFs, UPAs, áreas de lazer, malha asfáltica, ações
sociais, tratamento de água e esgoto, regularização fundiária e demais serviços
públicos, reconhece, concretamente, o que sentencia Edward Hallet Carr:
É comum dizer-se que os fatos
falam por si. Naturalmente isso não é verdade. Os fatos falam apenas quando o
historiador os aborda: é ele quem decide quais os fatos que vêm à cena e em que
ordem e contexto.
Com o Dia do Historiador, a Lei
ainda reconhece as produções de historiadores que se destacam em exposições de
painéis, quadros, artigos, fotografias e demais publicações que resgatam fatos
históricos, políticos, curiosidades, celebridades ou mesmo pessoas comuns que
fazem parte da história do município.
Já em âmbito estadual, o
governador de Mato Grosso, Mauro Mendes, promulgou a Lei n.º 11.195, de 24 de
setembro de 2020, de autoria do deputado Wilson Santos, instituindo o Dia
Estadual do Historiador, celebrado anualmente no dia 27 de julho.
Por isso, saliento a importância
de se registrar que a Lei em questão foi promulgada pela então prefeita Lucimar
Sacre de Campos, com a aprovação dos vereadores do município, sob a presidência
do vereador Fabio Tardin (Fabinho).
A valorização do profissional
de história, bem como seu metier, passa por uma visão ampla e requer reconhecer
o papel do historiador/historiadora para se compreender as relações que as
sociedades históricas mantêm com seu passado e o lugar que a história ocupa no
seu presente.
Esse dia ficará na História.
César Delgado, historiador e membro do Conselho Municipal de
Cultura de Várzea Grande.

